A História que Nenhum
Currículo Conta
De engraxate aos 10 anos a destaque nacional em tecnologia — a trajetória completa, com tudo que ficou de fora do LinkedIn.
O primeiro emprego
Antes de qualquer banco de dados, dashboard ou sistema, havia uma criança de 10 anos com escova e graxa nas mãos. Foi em um salão de beleza que tudo começou: engraxando sapatos, de forma informal, enquanto estudava.
Por sete anos esse ritmo de estudar e trabalhar ao mesmo tempo não foi exceção — foi regra. A disciplina de conciliar escola e trabalho cedo moldaria, sem que soubesse ainda, tudo que viria depois.
Muitos empregos, uma só determinação
Nessa época o trabalho não tinha horário fixo. No intervalo do almoço, a bicicleta cruzava o Jardim dos Estados entregando marmitas de um restaurante caseiro da vizinhança. Nos fins de semana, quando precisavam de reforço, era no lava-jato. Entre um turno e outro, uma passagem pela conveniência de bebidas e festas.
Múltiplos empregos, uma só determinação: sempre em frente.
O escritório de advocacia
Aos 17 anos veio a primeira experiência formal em ambiente de escritório — um breve período em um escritório de advocacia. Curto, mas formador: foi o primeiro contato com rotina profissional estruturada, documentos, prazos e responsabilidade institucional.
São Paulo — A grande aventura
Com a mochila nas costas e a cabeça cheia de planos, São Paulo foi o próximo destino. Para estudar. Para crescer. Para provar que dava certo.
O trabalho veio logo: uma empresa familiar de pastéis e caldo de cana. Familiar não significava pequena — eram 10 barracas espalhadas pelas feiras da cidade, cada dia em um lugar diferente. Mais de 5.000 pastéis saíam da produção diariamente. Era uma operação de verdade, e nela aprendeu sobre produção em escala, logística, atendimento ao público e liderança na prática, bem antes de qualquer sala de aula ensiná-las.
Destacou-se rapidamente e acabou atuando em todas as áreas da empresa — da produção ao atendimento.
Na última semana do curso, foi contratado pela JN Moura Informática — a D.F. Moura — iniciando como suporte técnico. O esforço de estudar e trabalhar ao mesmo tempo finalmente se convertia em uma oportunidade formal na área de tecnologia.
O preço da cidade grande
São Paulo cobrou seu preço. Já trabalhando na D.F. Moura, foram mais de sete assaltos ao longo desse período na cidade. No último, não ficou parado — revidou.
Tudo que havia conquistado, a violência havia levado. Era hora de voltar para Campo Grande.
A proposta que mudou tudo
O chefe sabia do que era capaz. Ao invés de uma despedida comum, fez uma proposta que mudaria o rumo de tudo:
"Você não vai voltar de mão vazia. Vou te dar a oportunidade de abrir a filial em Campo Grande."
Voltou. Sem clientes. Sem carteira estabelecida. Com uma meta de 1 ano e a mesma determinação dos 10 anos de graxa nas mãos.
Meta de 1 ano — batida em 6 meses
O que veio depois foi destaque nacional: maior volume de novos clientes e contratos com ticket médio entre os mais altos da empresa em todo o Brasil.
Não por acaso. Por tudo que veio antes — cada feira, cada entrega de marmita, cada fim de semana no lava-jato e cada sapato engraxado tinham construído, tijolo a tijolo, a disciplina, a resiliência e o instinto comercial que nenhum treinamento corporativo substitui.
E o que veio depois…
Você já conhece.
De volta a Campo Grande vieram mais faculdades, a fundação da IK Analytics, 7 anos no DETRAN/MS, projetos em três estados e mais de 15 anos transformando dados em decisões para órgãos públicos e empresas privadas.
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